26 de abril de 2003

Ao rever meu diário percebi que já faz um tempão que não escrevo. A ultima vez foi há mais de três meses. Neste período, tivemos uma guerra no Iraque, que contrariando a vontade da imensa maioria dos habitantes do planeta, foi levada a cabo pelos americanos que ignoraram os pareceres da ONU, relegando-a a uma posição na qual só temos todos a perder.

Iraque invadido, teme-se pelo futuro de seus habitantes que, ao que tudo indica, mergulharão num período mais difícil daquele no qual vinham vivendo. Possivelmente terminarão numa guerra civil. Enquanto isso, o ditador  Sadam Hussein (a exemplo de Osama Bin Laden), continua desaparecido. Coisas do planeta Terra...

As causas do acidente com a nave Columbia parecem ter sido identificadas: os engenheiros da Nasa chegaram à conclusão de que a tragédia foi causada por um pedaço de espuma isolante, que se desprendeu do depósito de combustível e danificou sua asa esquerda.

As imagens captadas do regresso do Columbia à atmosfera terrestre mostram que a desintegração da nave começou nesse ponto. Segundo o USA Today, os especialistas da agência espacial americana (Nasa) acham que o impacto da espuma isolante abriu uma fenda nas placas de cerâmica que cobriam a asa.

Ao reingressar na atmosfera terrestre, os gases em elevada temperatura penetraram na asa e dentro da nave, o que fez com que o ônibus espacial explodisse. Inicialmente, o diretor da agência, Sean O'Keefe, ridicularizou e chamou de "espumologistas" os que propunham tal hipótese.

O Sebastião me entregou os espelhos do Newtoniano no prazo combinado. Assim, quando tinha um tempinho - o que foi raro - me dediquei à aquisição das peças para a construção do meu novo telescópio. Achei que com a experiência da construção do Mr. Magoo, a coisa ia ser fácil. E foi.

Neste meio-tempo, acompanhei meu amigo Luiz Renato a Araraquara, numa visita a um conhecido construtor de telescópios: Dario Pires (tel. (0xx16)222-11-83) www.techs.com.br.users/dariopires  e-mail dariopires@techs.com.br .Este é mais um apaixonado pela Astronomia. Possui conhecimentos muito avançados sobre a construção de equipamentos para Astronomia e me forneceu um focalizador para o futuro Newtoniano. Nossa viajem de regresso foi um pouco complicada devido a um fortíssimo temporal que pegamos (ou melhor: ele é quem nos pegou) na estrada. Naquele momento, nossas vidas correram risco. Mas chegamos a São Paulo. Cansados, mas vivos.

Fiquei muito honrado com um e-mail que recebi do Guilherme de Almeida, autor do meu principal livro de apoio às observações astronômicas. Ele agradecia as referência que fiz ao livro dele e do Pedro Ré - Observar o Céu Profundo - neste diário, e me falou sobre dois outros livros de sua autoria, que ele recomenda que sejam lidos antes do "Observar o Céu Profundo" : "Roteiro do Céu" e "Introdução à Astronomia e às Observações Astronômicas", de Máximo Ferreira e Guilherme de Almeida.

Observei, na nossa troca de e-mails que alguns Astrônomos Amadores têm me consultado sobre onde adquirir os livros aqui no Brasil. E ele me informou o endereço:

EBRADIL- Empresa Brasileira de Distribuição de Livros Ltda. 
Av. Marquês de São Vicente  557 (ao lado do Banco do Brasil) Barra Funda CEP 01139-001
Telefone. (011) 3611-4567 / 3611-9948 / 3611-0269 / 3611-0327

 

E-mail da EBRADIL: ebradil@uol.com.br

Para enviar pedidos e cotações favor utilizar o seguinte endereço:  ebradilvendas@uol.com.br

Um trecho de um e-mail me animou particularmente: 

Estou presentemente fazendo um livro sobre telescópios que, além de descrever os diversos tipos de instrumentos, tem muita informação sobre como escolher um telescópio, utilizá-lo, colimá-lo, etc. Refere ainda oculares, montagens, alinhamento polar das montagens (diversos métodos sucessivamente mais rigorosos) hanedot das montagens, manutenção dos telescópios, etc. É claro que para isso  terá provavelmente mais de 400 páginas.

Ficamos todos no aguardo deste livro que, certamente, será de grande ajuda.

 

15 de maio de 2003

O meu Newtoniano ficou pronto na páscoa. Ou melhor, o tubo dele. Quanto à montagem Dobsoniana, esta encontra-se num estado de encantamento. Ou de "encalhamento". Assim, possuo um tubo sem uma base. Detalhes da construção do Newtoniano serão colocados no diário, em breve. Testes preliminares feitos pela janela, tendo como objetos de observação as boas e velhas antenas e janelas dos prédios vizinhos, parecem mostrar que o novo telescópio é muito mais versátil e possui uma imagem muito melhor que a do Mr. Magoo (que Deus o tenha...) . A colimação é uma piada, quando comparada à de um Cassegrain: é facílima.

Na noite de 15 para 16 de maio teríamos um eclipsa da Lua. Assim, precavidos que somos, o Luiz Renato e eu marcamos para vários dias antes uma observação em Jundiaí, com a finalidade de fazer um "ensaio" da observação do eclipse. Nosso objetivo seria o de filmar o evento. Mas era preciso testar os diversos equipamentos antes, para não ter surpresas.

Naturalmente nosso "ensaio" não aconteceu devido a uma enorme e espessa camada de nuvens que cobriu o céu há mais de dez dias. Durante o dia, neste período, o céu era maravilhosamente azul. Mas chegando lá pelas 6 da tarde, as nuvens iam chegando e encobrindo tudo. Assim foi dia após dia, sem nenhuma exceção.

De qualquer forma, estávamos decididos a ir até Jundiaí na noite do eclipse, mesmo que chovesse torrencialmente. Mas, para nossa surpresa, no dia 15, ao anoitecer, o céu estava perfeito: não havia uma nuvem sequer. 

Animadíssimos, partimos para Jundiaí, munidos de uma quantidade absurda de equipamentos. Tudo  devidamente montado à beira da piscina da casa do Luiz: o gramado parecia um jardim de tripés, sobre os quais se encontravam telescópios, lunetas e máquinas fotográficas de diversos tipos. Além destes, ainda tínhamos um televisor dotado de vídeo-cassete ligado a uma câmara que, por sua vez, estava conectada aos telescópios.

Assim, iniciamos a filmagem da Lua que, aos poucos, ia perdendo seu brilho e sendo escondida pela sombra do planeta Terra. As imagens gravadas são belíssimas, pois podem-se observar detalhes de crateras, vales e enormes "paredões" de rocha lunar, estes igualmente bombardeados por meteoritos que criaram novas crateras. O Luiz Renato tem a intenção de passar algumas imagens, com o auxílio de uma placa de captura de vídeo, para o computador.

Além de ajudar a operar todos os equipamentos, ainda conseguimos algum tempo para fazer algumas fotografias. A qualidade não é boa (isto parece que já está virando tradição...):

Esta é uma imagem da fase de penumbra do eclipse, feita apenas com a máquina fotográfica colocada num tripé (sem o auxílio de telescópio). A Lua foi adquirindo uma coloração alaranjada e perdendo seu brilho.

Aqui a Lua já estava na fase de "Umbra" - o eclipse propriamente-dito. É interessante notar que, a olho-nu, a divisão entre a faixa iluminada e a faixa escura, não era bem nítida. 

Segundo os cálculos dos Astrônomos, à 1:16 h., a Lua deveria estar totalmente escura. Mais interessante ainda é que EXATAMENTE à 1:16h., uma imensa camada de nuvens cobriu todo o céu, nos fazendo voltar a São Paulo.

Mas o evento uniu gente do mundo todo (principalmente das Américas - onde o eclipse seria observado em sua totalidade). Relatos na internet, muitos deles ao vivo, davam conta de grupos de pessoas observando o acontecimento. Outros, solitários, dividiam suas visões e sua emoção com gente de todo o globo, via e-mails que lotavam as caixas de entrada de muitos computadores.

Permaneço aqui aguardando o término da construção do meu Newtoniano (estou dependendo de um torneiro que se propôs a confeccionar uma peça em alumínio para o suporte do tubo). Um relato de todos os detalhes da construção já está pronto em meu computador, aguardando a conclusão da montagem para ser colocado neste diário. Espero que esta pessoa não me deixe esperando por muito mais tempo...