28 de agosto de 2002

 

Esta página foi redigida pelo Dr. Antonio Mendes Soares, responsável pela U.T.I. do Hospital Sírio-Libanês, a pedido do paciente Adriano Caló.

O autor deste diário encontra-se impossibilitado de realizar atualizações em seu conteúdo pois foi vítima de um acidente grave, decorrente de eventos parcialmente inexplicados até o momento. 

Atualmente encontra-se impedido de falar claramente, digitar ou realizar qualquer tipo de movimento. A equipe médica, infelizmente, apresenta um prognóstico tecnicamente definido como "desesperador".

O acidente que deu origem a tal estado médico teve inicio há algumas semanas, quando ele observava estrelas, segundo relatos de pessoas presentes, com seu telescópio, no sítio onde habitualmente realiza suas observações, na cidade de Itú. Ao que parece, ele já se encontrava bastante agitado nos dias precedentes por conta de questões banais e corriqueiras.

Em dado momento, seu telescópio foi atirado ao chão, e os livros e diversas páginas impressas em computador foram encontradas à volta do local onde observava o céu, amassadas, rasgadas e molhadas por um líquido incolor e pegajoso. Ouviram-se gritos e o paciente foi visto correndo na escuridão, aparentemente perseguindo alguém ou algo que não pode ser identificado. 

Esta perseguição o levou a atravessar uma cerca de arame farpado (que, provavelmente não foi percebida na escuridão), que lhe causou alguns ferimentos superficiais. Porém, a referida cerca não impediu que a perseguição tivesse continuidade em direção ao lago situado no fundo do vale contíguo ao sítio.

Há relatos (de confiabilidade duvidosa) de luzes piscando nas redondezas nos momentos imediatamente precedentes ao incidente. Algumas pessoas relataram ter ouvido sons (definidos por alguns como gritos e, por outros, como uivos) de origem incerta. Familiares relatam que no dia em questão, o paciente falara sobre a existência de outras formas de vida no universo, além da humana.

O corpo do paciente foi encontrado, na beira do lago. Ele pronunciava frases sem nexo, que incluíam uma diversidade de insultos. O nome "Téo" foi pronunciado diversas vezes. Seu corpo apresentava diversos ferimentos do tipo pérfuro-cortante e de sua boca saia espuma de cor esbranquiçada.

Foi imediatamente levado à Santa Casa de Itú, em estado de grande de agitação. Continuava a pronunciar frases incoerentes, fazia movimentos involuntários que exigiram a intervenção de cinco homens adultos e fortes para contê-lo.

Em suas roupas, também foi encontrado o mesmo líquido pegajoso que fora encontrado nos livros anteriormente citados. Havia, nas feridas, fragmentos vegetais, terra, e alguns pelos de origem provavelmente animal (amostras destes materiais foram encaminhadas ao Instituto Médico Legal de São Paulo para análise).

O paciente foi medicado com sedativos da classe Benzodiazepínica, em doses de até 40 mg. diárias, nos dias que se seguiram.

A pedido da equipe médica da Santa Casa de Itú, que não conseguiu chegar a um diagnóstico conclusivo, e dos familiares, o paciente foi transferido para o hospital Sírio-Libanês, na cidade de São Paulo.

Ao dar entrada no setor de emergência, apresentava fortes sinais de arritmias basilares do átrio esquerdo, P.A. irregular, com picos de 23 x 18 mm Hg, descontrole psicológico, alucinações, descontrole motor, e agitação.

Os exames realizados, que incluíram eletrocardiograma, eletroencefalograma, dosagens de diversos elementos plasmáticos, ultrassonografia dopler abdominal e pélvica, tomografia axial do crânio, ressonância magnética cerebral, dentre outros, não revelaram as causas da patologia.

Após seis dias (nos quais o paciente permaneceu no Centro de Terapia Intensiva), houve alguma melhora em seu estado geral, chegando até mesmo a recobrar parte da consciência. A equipe médica tentou dialogar com o paciente, tentando investigar os fatos ocorridos. Houve a presença do Sr. Delegado de Polícia Civil da 77ª Delegacia de Polícia durante algumas das tentativas de diálogo, a pedido da Polícia da cidade de Itú.

As frases pronunciadas pelo paciente, incluíam termos técnicos de astronomia (ou odontologia - pois o paciente é cirurgião - dentista), quase sempre seguidos de insultos aparentemente dirigidos a um indivíduo de nome "Téo", como "ocular molhada, ... ", "acabou com a colimação", "justo agora que eu tinha encontrado a ngc (?)", "rabo de cometa", dentre outras.

Uma equipe de apoio psicológico que passou a integrar a equipe médica, também não conseguiu maiores esclarecimentos.

Após mais dois dias, o paciente já aparentava ter readquirido um certo nível de normalidade  psíquica, e foi transferido para a enfermaria. Seu estado geral, nesta fase parecia ser o de um estado de depressão psicológica profunda, incluindo apatia, torpor, e alienação.

Durante a visita de um dos membros da família, que trouxe diversas fotografias (a pedido da equipe psicológica de apoio ), o paciente chegou a sorrir, e a pronunciar nomes de parentes e amigos, parecendo se recobrar lentamente. Pediu à equipe médica que atualizasse seu diário na internet, pois fora informado que os leitores estavam reclamando de sua ausência.

Entretanto, ao visualizar uma fotografia em particular, ele apenas gritou novamente o nome "Téo" e entrou novamente num estado de agitação profunda e total descontrole psicológico.

Caso algum leitor conheça alguma explicação que possa ajudar na recuperação do paciente, solicitamos que entre em contato com a equipe do CTI do Hospital. A fotografia apresentada ao paciente é a que se segue (segundo relatos da esposa do paciente, seria a imagem do mais novo membro da família)

Cordialmente, Dr. Antonio Mendes Soares - CTI

Veja a fotografia abaixo:

 

 

 

 

Fotografia do mais novo membro da família do paciente (Théo - 2 meses de idade)