18 de julho de 2002
Se alguém conseguiu chegar até esta página do meu "querido diário", provavelmente terá notado alguma diferença de "layout". Devo isso ao meu filho que na sua sabedoria de treze anos, e munido de toda a delicadeza deste mundo, houve por bem "me dar uns toques" quanto ao jeitão do meu diário. Estava muito careta... Pô, pai, dá um jeito... Você tem que fazer uma coisa mais moderna. Hoje tem Flash, Banner, Gif animado, Corel Draw, Dream Weaver...
E eu só ouvindo... Meu pobre diário... Quer dizer que ele estava mais para o diário de um náufrago, encontrado muitos anos depois de ter sido atirado ao mar, todo amarelado, escrito em um "pergaminho basiquinho"... Fiquei pensando no filme "O Náufrago", em que o pobre coitado que trabalhava para a Fedex sofre um acidente e avião e cai no mar, chegando até uma ilha deserta, onde passou quatro anos, acompanhado apenas de Wilson (uma bola e volei furada, da marca Wilson) e e um relógio de bolso daqueles antigos, com uma fotografia da esposa (eu achei o filme ótimo).
Não! decididamente, meu diário não seria o diário de um náufrago! Então produzi alterações fundamentais e importantíssimas.
O comentário do meu filho foi mais ou menos assim (balançando a cabeça de um lado para outro, depois levando a mão à testa): "parece um circo com uma roda gigante toda colorida"...
Bem, eu tentei...
Mas então, vou falar do meu fim de férias. No sábado à noite, NÃO tinha nuvens. Mas tinha vento. E eu tinha comprado um filme de 36 poses para fotografar o céu. Tipo colocar a máquina em cima da mesa, apontar para o zênite e abrir o obturador. Meu amigo Luiz Renato, que já obteve resultados excelentes com esta técnica, e tem uma máquina fotográfica com a objetiva igual à minha. Assim, liguei para ele e ele me aconselhou a deixar a objetiva aberta por tempos que variassem entre 20 e 40 segundos, que, certamente, alguma foto ia sair boa.
Assim, embrulhado em todos os casacos que pude encontrar na chácara, mais o gorro e as luvas, fui para fora. Uma folha e papel para anotar o tempo de exposição e a abertura de cada fotografia, além de uma caneta, já estavam ao lado da máquina.
Parece fácil, mas controlar o cronômetro do relógio, a folha de papel que teimava em voar, no meio daquele frio polar, e a umidade que teimava em se condensar exatamente sobre a lente da máquina fotográfica, não era tarefa fácil. E eu gelando. E contando os segundos. Cada vez que o tempo predeterminado era atingido, eu fechava o obturador, soltando o parafuso do disparador de cabo.
Isso funcionou bem até a 14ª fotografia. Nesse ponto, eu deveria fazer uma exposição de 35 segundos. Apertei o disparador e comecei a acompanhar os segundos no relógio: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, click!
Mas como? Eu não soltei o parafuso e o obturador fechou sozinho! Tentei de novo: 1, 2, click!
Excomunguei minha sorte. Além daquele vento úmido e gelado, a máquina estava aprontando comigo. Levei-a para dentro a casa e achei que a cobertura plástica do cabo do disparador não estava bem presa. Assim, rodei quilômetros naquela bendita chácara até encontrar um pedacinho de arame suficientemente fino e um alicate com a ponta bem fina. Prendi o plástico com o arame e voltei ao meu posto de observação. Tremendo de frio.
1, 2, 3, 4, 5, click!
Xinguei. Xinguei muito. Entrei novamente na casa e testei todo o conjunto. Desmontei tudo. Voltei a montar. Saí de novo para fora. Furioso.
Armei a máquina, apertei o botão o cronômetro e apertei o disparador.
Nada! Apertei de novo e nada.
Então entendi: a maldita bateria da máquina tinha terminado. Uma dessas bateriazinhas que parecem moedas de 25 centavos. Uma reles bateria. Vagabunda, ordinária, encontrada em qualquer barraquinha e camelô. Mas sem ela, nada.
Assim, nem revelei as primeiras 14 fotografias até hoje. Nem comprei a tal bateria, ainda.
Portanto, caro leitor, não tenho aquelas imagens espetaculares que eu planejara ter para colocar bem aí em baixo. Perdoe minha falha...
Mas, para compensar, além da nova cara do meu singelo diário, tenho algumas imagens da Lua, que tirei com a web-cam, antes de tentar usar a máquina. Tirei 58 fotografias. Todas sem a menor graça:

Depois tentei usar o Astro Stack para melhorar a imagem. Não deu certo, pois ele tentava alinhar as imagens pelas manchas de poeira (pontos pretos). Tentei fazer um alinhamento manual, mas também não obtive resultados aceitáveis. Assim, passei a usar o PhotoShop., e consegui as imagens abaixo, que são a sobreposição de 30 imagens:

É claro que cada fotografia abarcou uma parte diferente da Lua. Por este motivo as bordas parecem uma escada. A imagem acima não foi tratada por nenhum meio. Já a imagem abaixo é uma parte da imagem inicial, tratada pelo Photo Styler:

Na verdade, a imagem original de uma única fotografia, é melhor.
Assim é a vida do Astrônomo Amador. No meu caso, a procura sem fim de uma imagem que me faça vibrar. De uma imagem que eu considere impossível de ser melhorada ou igualada. E depois, escrever tudo no meu diário, como um náufrago que se apega ao seu caderno para não enlouquecer na ilha deserta.