08de julho de 2002

Estou na chácara desde o dia 5 de julho. São meus dias de férias. Deveremos ficar por aqui até o próximo domingo, e isso me obrigou a trazer uma certa quantidade de bagagem que obrigou-nos a fazer duas vagens: dois telescópios, microcomputador, livros, etc, além de alguns itens de menor importância como alimentos e roupas.

Por aqui faz um frio terrível. Estimamos que ao amanhecer a temperatura estava, ontem, por volta dos 5 graus.O morro em frente ao sítio, pertencente à Fazenda Limoeiro, até umas 10 horas da manhã, estava todo branco, coberto de geada. Hoje o vento frio nos castigou durante todo o dia e impediu que minhas observações do céu fossem realizadas, pois o telescópio balançava demais.

O pé de Pau Brasil que plantei em junho de 1997 já está com 1,60 m. de altura. Passei boa parte da manhã refazendo a cerca e adubando a terra, com a ajuda do meu sogro. Penso que ela só vai se tornar uma árvore razoavelmente grande dentro de uns 30 anos. Isto se alguém não resolver liquidar com ela antes. Digo isso pois tenho observado que a vegetação da região está sendo, pouco a pouco, devastada. As queimadas são muito freqüentes. As poucas áreas de floresta nativa, aos poucos, vão dando lugar a pastos áridos. Quando será que a humanidade vai entender que a natureza deve ser respeitada?

Seja lá como for, espero que muitos anos após a minha morte, alguém ainda possa olhar para aquela árvore e ler na placa de madeira pirografada, que pendurei ao seu lado, a data "abril de 1997". Que este alguém possa entender que plantar aquela árvore foi um gesto de revolta. Uma tentativa de ajudar a natureza a se recuperar dos ataques irresponsáveis dos humanos. 

No sábado à noite, montei o computador e, com a ajuda do caseiro, liguei a internet. A Pâmela, filha dele, de 11 anos de idade, e sua mãe, foram apresentadas à internet. Atendendo a pedidos, passeamos por sites sobre dinossauros e sobre estações de tratamento de água (pois a Pâmela devia fazer um trabalho escolar sobre o tema). Mostrei imagens ao vivo de carros passando sobre a ponte Rio - Niterói, e as fiz ouvir música ao vivo. Estivemos, também numa sala de bate-papo (da qual saímos rapidinho, pois o conteúdo não era compatível com a idade e os princípios religiosos da menina).

Tivemos, a partir do domingo à tarde, a visita do meu irmão ,sua esposa e seu filho de 11 anos, que me ajudou a fotografar Vênus com o Mr. Magoo e a web cam.

Foram 78 fotografias, ao todo. A qualidade das imagens não é lá essas coisas, mas com a ajuda do Astro Stack, sobrepus 28 imagens que julguei melhores. Os resultados estão aí:

     

Para quem quiser saber mais sobre o planeta, há um resumo de seus principais aspectos, clicando aqui: VÊNUS.

Mais tarde, perseguimos, Mr. Magoo e eu, algumas nebulosas e aglomerados. As imagens eram maravilhosas. Pena que não possuo equipamentos suficientes para realizar fotografias do céu profundo.

Observar o céu no inverno requer uma dose de coragem bem considerável. O frio castiga sem piedade. A umidade é terrível. Mas se não há vento, tudo bem.

09de julho de 2002

Quando acordei, lá pelas 9:00, meu irmão já estava a postos no fogão de lenha, fritando cebolas. Incrível sua paixão pela cozinha, ainda mais aqui na chácara. Ele cozinha o tempo todo e seus pratos não têm nada de light... Devo ter engordado uns 1000 Kg...

À tarde ele foi embora, com sua esposa e filho. Depois do anoitecer, ainda tentei levar o telescópio para fora, mas uma certa neblina, que não era visível a olho nu, produzia imagens totalmente embaçadas. Isso para não falar no vento, que me obrigou a sair de casa trajado como um astronauta rural, todo encapotado, cheio de gorros, luvas e casacos que mal permitiam que eu me mexesse. O telescópio não parava de balançar. Eu tentava encontrar a NGC 5128 que fica na constelação do Centauro, perto da estrela Ômega daquela constelação. Mas era como tentar achar uma agulha num palheiro durante um terremoto no polo Ártico... Impossível.