19 de abril de 2002

 

Sei que tenho abandonado meu diário ultimamente, mas o fato é que não tinha nada para contar. Só nuvens, falta de tempo, e o meu bom TPVA1 que resolveu complicar minha vida: a imagem simplesmente não fica mais em foco. É sempre meio borrada. E eu não sei qual a causa do problema.

Por conta disso, o TPVA1 foi rebatizado: agora é Mr. Magoo.

Mas, nesta sexta-feira, como em algumas outras fomos, o Luiz Renato e eu à sua casa de campo em Jundiaí. Estivemos lá algumas vezes, cheios de equipamentos, e acabávamos sempre por nos perder em meio a milhares de astros que queríamos observar e equipamentos a testar. No final, invariavelmente, as nuvens chegavam e nos despachavam de volta a São Paulo, com o peso de uma pizza quatro queijos nos nossos heróicos estômagos.

Mas, nesta sexta-feira, levamos as nossas máquinas fotográficas. Tínhamos por objetivo observar a M-46, pois o CASP (Clube de Astronomia de São Paulo) lançou a idéia de todos os seus membros observarem durante um mês um mesmo objeto celeste e cada membro colocaria na Home Page do clube os resultados de suas observações.

A M-46 ficou no esquecimento, pois quando resolvemos observá-la, uma nuvem resolveu encobrir exatamente a região do céu onde ela se encontrava. Assim, fomos observando outros astros, e eu me dediquei a fotografar a Caixa de Jóias no Cruzeiro do Sul.

Inicialmente coloquei minha máquina em "piggy-back" precariamente amarrada ao Meade do Luiz com um elástico. Programamos o telescópio para acompanhar a Caixa de Jóias, e realizei algumas exposições. A que nos forneceu os melhores resultados foi a de 5 minutos de duração com toda a objetiva aberta. O filme era de ASA 100, mas quando foi revelado, foi puxado para ASA 400. Os resultados são estes:

Pode-se notar claramente o Cruzeiro do Sul , com sua estrela Alfa em meio às árvores. À esquerda  da segunda fotografia (ou a Oeste) aparecem bem claramente Hadar (Beta Centauro) e Rigil Kent (Alfa Centauro) na constelação do Centauro.

Em detalhe, a imagem do Cruzeiro ficou assim:

A Caixa de Jóias foi fotografada inúmeras vezes com o auxílio do Meade de 60 mm. do Luiz Renato. Porém, usei tempos de exposição que variavam de 30 segundo a 2 minutos. O melhor resultado (2 minutos) é o que se segue:

Mesmo usando um tempo relativamente curto, houve a formação de trilhas. E a caixa de Jóias foi reduzida a meia dúzia de estrelinhas.

Parece decepcionante, mas ao mesmo tempo é estimulante, pois começam a surgir resultados, mesmo que modestos. Obviamente teremos de queimar muitos filmes para obter resultados razoáveis. Mas já combinamos que na última noite de abril (véspera de feriado) voltaremos à luta.

Terminamos nossas observações bem depois da meia noite, ou seja, 20 de abril: dia do Astrônomo. A todos nós, que somos mais teimosos que mulas empacadas, parabéns. Que possamos continuar a nos divertir muito, a passar por aventuras, frio, sereno, decepções e realizações em nossas "caçadas" noturnas por imagens que muitas vezes duram só alguns segundos mas que, em nossas memórias, são intermináveis e que, lá no fundo, nos deixam muito felizes.