1 de março de 2002
São dois meses que não consigo ver praticamente nada do céu. E o motivo, na esmagadora maior parte das vezes foram a chuva e as nuvens. No carnaval, fomos para Campos do Jordão, e choveu o tempo todo, exceto por uma noite em que o céu abriu um pouquinho, mas a umidade era tanta que o telescópio, após alguns minutos saiu encharcado e eu com um baita resfriado.
O espelho secundário do meu telescópio oxidou muito. A imagem ficou bastante embaçada, e eu não entendo o motivo. Mas, de qualquer forma, enviei-o para o Sr. Roberto Verzini, que trabalha com metalização de espelhos. O trabalho que ele fez foi rápido, eficiente e me foi cobrado um valor justo: mandei-lhe o espelho pelo Sedex no dia 25 de fevereiro, e recebi-o de volta ontem, dia 28 de fevereiro, igualmente via Sedex. O pagamento foi feito através de um depósito bancário. Para quem um dia precisar, seu endereço é R. Francisco Tapajós 694, bairro Saúde, cep 04153-001 e o telefone é (11) 5073-9593. Quem dera que as coisas em nosso País funcionassem sempre assim...
Ontem à noite fui convidado por meu amigo Luis Renato para irmos à sua casa de campo em Jundiaí, pois ele tinha duas novas aquisições: a primeira uma plataforma equatorial e a segunda um novo telescópio Meade, de 60 mm., com motorização.
A plataforma equatorial é uma engenhoca constituída de 3 pequenas tabuletas de madeira, com um motorzinho elétrico, sobre a qual se apóia uma máquina fotográfica, de modo que a máquina vai acompanhando o movimento de rotação da Terra, o que permite fazer exposições fotográficas de até 2 horas. O resultado deve ser excelente . Digo "deve" pois optamos por estrear o Meade, que nos pareceu muito mais atrativo (quase tanto quanto a pizza que pedimos quando nossos estômagos clamavam urgentemente por comida).
O Meade é uma luneta de 60 mm, surpreendentemente pequena. Possui um motor embutido que cuida do acompanhamento do algo em torno de 1400 astros. A coisa funciona mais ou menos assim: inicia-se colocando o telescópio voltado para o norte (isso foi feito com o auxílio de um bússola). Então liga-se o aparelho, que tem um controle remoto com um display que começa a fazer algumas perguntas, como localização, data, hora, etc. A seguir, deve-se "orientar" o aparelho, ou seja, fazer com que le localize 2 estrelas e a partir daí, o próprio telescópio faz os cálculos para saber a localização dos outros astros.
Eu, para dizer a verdade, imaginei que esta tarefa iria levar a noite toda e que, provavelmente não teríamos êxito. De qualquer forma, começamos a tentar. Era preciso dirigir o telescópio para uma estrela conhecida e escolher seu nome numa lista. O que melhor conhecíamos, e ajudados por uma carta celeste, era a constelação de Órion, que estava bem acima de nossas cabeças. Assim, escolhemos a estrela Rígel e direcionamos o telescópio para ela, movendo uma espécie de "joystic"que faz parte do controle remoto (ele tem 4 setas: para baixo, para cima, para direita e para esquerda). Localizada a estrela, apertamos um botão, informando a engenhoca que a estrela estava localizada.
A seguir, o display pedia uma segunda estrela. Escolehemos Betelgeuse, da mesma constelação de Órion. Apontamos o telescópio para a estrela e informamos ao Meade que a operação fora efetuada.
Então, o bichinho começou a dar um show para nós, que estávamos com uma caras que variavam entre o incrédulo, o surpreso e o chocado: ele inicialmente nos pediu qual astro queríamos localizar. Escolhemos Júpiter. Aí a geringonça começa a virar sozinha, emitindo um barulhinho meio futurista de robô que sabe exatamente o que está fazendo. E de repente solta um "bip" que significaria que ele havia encontrado o planeta. Não só encontrado, mas prometia ir acompanhando seu movimento que nem carrapato em cima de cachorro numa noite de inverno.
O Luiz, por ser o feliz proprietário do aparelho, teve o prazer de colocar seu olho na ocular em primeiro lugar. Então ele fica eufórico. Não é que o danado encontrou mesmo Júpiter sozinho... E ia realmente acompanhando seu movimento. A imagem mostrava várias das luas de Júpiter orbitando ao seu redor, apesar de o aumento ser apenas aquele que pode fornecer uma luneta de 60 mm de boa qualidade (melhor que o velho Tasco que anda aposentado num canto de um quarto).
Então tentamos outros astros: Saturno! E o bichinho começa a emitir um "bzzz bzzz " e ai "Biiiip!". Dito e feito: lá estava Saturno.
Mas as proezas do monstrinho não param aí: você aponta o telescópio para uma estrela qualquer e pergunta a ele: "que estrela é esta?" E ele te responde é a estrela "Sírius".
Devo dizer que babei... o bichinho é fantástico!
Nem me importei muito com aquela aranha enorme e toda peluda que teimava em sair de dentro da piscina nos ameaçando o tempo todo...
Neste ponto, o céu foi se enchendo de nuvens, a Lua iluminando-as com uma intensidade enorme, e resolvemos voltar para São Paulo.
A idéia do Luiz é colocar o Meade ao lado do seu Newtoniano de 180 mm e usar o Meade como "professor" ou "guia turístico" (ah é... ele tem uma opção que mostra as coisas mais interessantes que são visíveis no céu daquele determinado local naquela hora...) e usar o Newtoniano para explorar com maior aumento os objetos encontrados pelo Meade. Realmente, com um professor desse, as coisas vão ficar bem mais fáceis...
Quanto à plataforma equatorial, suspeito que ela não vai ser muito usada...