20 de novembro de 2001

 

Dia 15 de novembro (feriadão: uma quinta-feira) terminei a construção do meu novo telescópio. Não pude ir para a chácara pois minha mulher tinha de trabalhar em sua loja na sexta e no sábado. Apanhei um bocado para fazer a colimação (alinhamento dos espelhos). Êta coisinha difícil... 

Dia 16 de novembro (sexta-feira): o telescópio estava prontinho: tudo alinhado; até mesmo o buscador (mira). Realizei esta tarefa usando como pontos de referência as antenas dos prédios que se vêem daqui de casa (eram os pontos mais distantes de que eu dispunha). Interessantes estas antenas: existem as normais, daquelas antigas, cheias de varetas paralelas onde pousam aqueles pássaros pretos que aparecem nos desenhos animados. Existem outras mais sofisticadas, feitas também de varetas, mas com a forma de um retângulo com os cantos arredondados. Existem as parabólicas: desde as tradicionais, com o prato de arame, até uma amarela como ouro. Isso para não falar nos pára-raios: sempre com uma lâmpada vermelha em seu tôpo.  Mas não pude ver nada no céu: estava tudo nublado.

Dia 17 de novembro (sábado): Nublado - nem uma estrela sequer.

Dia 18 de novembro(domingo): Nublado - nem uma estrelinha sequer...

Dia 19 de novembro (segunda-feira) - Nem uma mísera estrelinha sequer... 

Dia 20 de novembro (terça-feira) - Milagre: logo após o pôr-do-sol as nuvens dão uma tréguazinha: consigo ver (entre uma nuvem e outra - antes que aquela imensa nuvem escura que está no Leste chegue em cima da minha cabeça) uma estrela. Uma estrela de verdade! Nem sei que estrela era. Muito menos a qual constelação pertencia. 

Mas estava difícil de encontrar o foco: tentei, tentei, mas o foco nunca era perfeito. Só depois fui me tocar que o céu, apesar de aparentemente sem nuvens naquela parte, na realidade tinha uma tênue camada de nuvens. Isso já havia me acontecido antes, com a luneta. Nestas condições, é impossível se conseguir uma imagem perfeitamente nítida.

E então... aquela maldita nuvenzona que estava no leste vai parar bem em cima da minha estrelinha.

! Fim de papo. 

E pensar que no domingo houve uma fantástica chuva de meteoros (os Leonídeos). Quem teve a sorte de estar em um dos poucos lugares do Brasil em que não estivesse tudo nublado, naquela noite, viu um verdadeiro espetáculo: não era nem uma chuva de meteoros - era uma tempestade. Um e-mail que recebi de uma pessoa que se encontrava numa estrada do Paraná fala em um espetáculo maravilhoso. Esta pessoa dirigia por esta estrada e começou a ver estes riscos no céu. E a coisa ia aumentando de intensidade, até que ele não resistiu e estacionou o carro para observar o espetáculo. Diz que foi uma coisa indescritível: um show de luzes de todas as cores, com rastros de fumaça que permaneciam no céu por até 5 ou 6 minutos. Outro e-mail vindo do Japão relatava uma taxa de 40 meteoros por minuto vindos de todas as partes do céu. Esta pessoa falava no "espetáculo mais lindo que vi em toda a minha vida".

Mas não há de ser nada... Eu aqui com meu telescópio novinho em folha e o máximo que vejo são as antenas de Higienópolis, Santa Cecília  e até mesmo da  Avenida Paulista...

Mas isso foi bom. Explico: vários colegas de Astronomia me perguntaram qual ia ser o nome do meu telescópio. Pois parece que há uma tradição de se dar nome aos telescópios. Como se fossem barcos. E eu não tinha a menor idéia de que nome lhe dar. Então, me veio a inspiração: meu telescópio se chamará TPVA-1.

Não é lindo este nome? Parece uma coisa meio futurista... Coisa de gringo da NASA, não? Combina perfeitamente com sua cor azul metálica. Em minha opinião é um nome perfeito.

Tá ele aí do lado, com seu espelhão primário olhando para mim, majestos, imponente, reluzente...

Mas não há se ser nada: amanhã é outro dia. Quem sabe... A esperança é a última que more...

 

P.S.: Para quem não entendeu, TPVA-1 corresponde às iniciais de:

Telescópio Para Ver Antenas nº 1.