25 de outubro de 2.001
Meu sogro (que é aposentado) e eu (que continuo em férias), resolvemos nos refugiar na chácara, enquanto nossas esposas assumiam a tarefa de trabalhar. E assim, carregamos o carro com luneta, telescópio em construção, um pouco de roupa (porque será que as mulheres carregam tantas roupas, quando viajam?) e um mínimo de comida (homens sobrevivem com um pacote de salsichas, desde que não haja mulheres junto. Se houver eles passam a precisar de refeições completas. Porque será?).
Antes mesmo de anoitecer, a luneta já estava montada e a Lua no céu. A Primeira visão era como a da fotografia abaixo. Mas, pela ocular, as imagens têm mais vida, mais contraste, mais brilho.

Mas o que me chamou à atenção foi uma pequena imagem próxima ao canto direito inferior que, vista pela ocular se assemelhava a um pequeno barril, acompanhado de sua sombra. É claro que "pequeno" é um conceito relativo: aquela pequena imagem poderia ter uns 20 km.

É claro que não era nada mais que uma formação rochosa, mas pela ocular se assemelhava a um barril.
Outras imagens da lua (dentre as inúmeras que registrei):

Como não podia deixar de me deter no "Pântano do Sono", afinal este foi o primeiro detalhe que me despertou particular interesse na Lua, passei a observá-lo mais detalhadamente e percebi que aquela superfície que inicialmente me parecia perfeitamente plana, na realidade possui uma cratera bem grande, apesar de suas bordas serem relativamente baixas. Isto pode ser visto no lado esquerdo da fotografia de baixo, que tem maior aumento::



Fui dormir pensando nas imagens que poderei (?) conseguir quando meu novo telescópio estiver pronto. Será que conseguirei algo melhor?
No dia seguinte (sexta-feira), dediquei o período da manhã à repintura do meu novo telescópio, pois a pintura inicial deixava muito a desejar. E, realmente, obtive um resultado muito melhor. É azul. Um azul metálico e bem escuro. Ficou lindo!!!!!
À tarde, minha esposa chegou de São Paulo, de modo que tivemos um jantar de verdade...
Após o jantar, continuei a ver a Lua. O vento terrível que me castigara na noite anterior, nesta segunda noitada estava bem mais calmo. Além disto, montei meu "observatório" mais próximo à varanda da casa, de modo que esta me servia de defesa.
Os cachorros, ao ouvirem a música que saía dos alto-falantes do computador, como sempre, vieram me fazer companhia. As cigarras emitiam seus sons num volume incrível, que enchia o ar de paz e tranqüilidade. Persegui a Lua com afinco até o sono deixar meus olhos pesados.
O dia seguinte foi dedicado à beira da piscina, que é sempre um lugar interessante para se passar um final de férias. À noite minha esposa resolveu me acompanhar nas minhas observações astronômicas. Assim, por consideração a ela, montei a tralha toda sob a varanda, em direção ao norte. Chega de Lua. A idéia era ver umas esterelinhas e dormir. Mas tinha uma estrela mais amarelada, mais brilhante. Virei a luneta para lá e, para minha surpresa, era Saturno.
A visão de Saturno é empolgante. Mesmo com uma luneta de 60 mm, a gente se sente no espaço. E minha esposa me ajudou: eu ia acompanhando o movimento de Saturno e ela controlando o computador. Tiramos dúzias de fotografias. Algumas delas estão a seguir:

É claro que a imagem vista diretamente da ocular era incomparavelmente mais bonita, mas eu coloquei estas imagens para quem pretende adquirir uma luneta de 60 mm, de modo que possa ter uma idéia do que vai ser possível observar.
Pela ocular se vê um desenho perfeitamente nítido, claro e cheio de contraste.
Quando estávamos desistindo de Saturno, eu lembrei que no final do ano passado, eu vira Saturno e que onde estava Saturno, sempre estava Júpiter por perto. Procurei bastante, mas não encontrei. Quando estava quase desistindo, eis que começa a nascer, por trás de um enorme abacateiro uma estrela cheia de brilho: eu não me enganei: onde está Saturno, está também Júpiter. Pela ocular da minha luneta, se via apenas uma esfera branca, bem grande, mas sem detalhes. As fotografias estão aí, a quem interessar possa. Mas, ao vivo, é muito mais bonito. Conseguem-se ver até mesmo 4 das luas que orbitam o planeta, além de duas faixas diagonais que atravessam Júpiter de um lado a outro. Naturalmente, na fotografia não se vê nada disso.

Fim de férias. Amanhã é domingo. E preciso dormir cedo, pois segunda-feira, como diz o ditado, é dia de branco. E, no meu caso, isso significa vestir a roupa branca e trabalhar.