7 de setembro de 2001
Feriadão!!!!
Não agüentamos ir para o sítio ontem à noite. Viemos hoje na hora do almoço. A noite promete. Monto a tralha, que é cada vez maior e ocupa cada vez mais espaço no carro.
Mas, quando a noite chega, ela traz um céu embaçado, frio e muito vento. Tenho de usar a "máscara de assaltante" para me proteger do vento. Hoje os animais não vieram me fazer companhia. Covardes! É só ventar um pouquinho que todo mundo some...
Já é tarde: são 22:30. É que ser marido significa, entre muitas outras coisas, acompanhar a esposa ao supermercado. Eu odeio! Mas casamento é para todas as horas: os bons e os maus momentos. Então, consegui montar o equipamento só às 10 e meia da noite.
Meu objetivo, hoje, é obter imagens da Lua. Imagens fantasticamente maravilhosas. Mas o céu está embaçado. A Lua tem um enorme halo à sua volta. Venta horrores. O que consigo são imagens pobres:

Esta foi a melhor imagem que obtive. É uma cordilheira que circunda um dos tantos mares.
Então resolvi dar uma melhorada nas imagens com a ajuda do Photo Styler. Os resultados estão aí:

Que, melhorada ficou assim:

Outra imagem:

Estes tratamentos de imagens, apesar de provocarem perdas de dados em termos de fidelidade de imagem, por outro lado, tornam as coisas mais fáceis de serem visualizadas. Pois não é que eu não estivesse conseguindo ajustar o foco. Eram as nuvens que cobriam a Lua que me forneciam imagens extremamente pobres.
O frio me congela. Meus movimentos são tolhidos por casacos, cachecóis e máscaras. E se os cachorros resolverem vir ver o que rola na beira da piscina, o que vai ser de mim? Hoje eu esqueci de enfileirá-los e fazer o discurso habitual, tentando explicar-lhes que sou amigo, que, apesar da aparência, não sou bandido, etc. etc. Coloco a objetiva original da Web Cam em seu lugar e dou uma espiada em minha imagem:

Que horror! E se os bichos resolvem descer?
Então tiro o gorro que mantinha minhas pobres orelhas quentes e começo a desmontar o equipamento:


É isso aí... Vida de astrônomo não é fácil...
8 de setembro de 2001
Como não podia ser diferente, amanhece um céu de brigadeiro. Azul. Totalmente azul. Vento, quase nada. Então resolvo fotografar o Sol. Mas para se fotografar o Sol é preciso de um filtro, e eu não tenho nenhum. Sei que as pessoas costumam "quebrar o galho" com máscaras de soldador. Mas no sítio não tem nenhuma. Então preciso fabricar um filtro. Apesar de ter lido que isso não funciona, eu tento, pois tenho minha veia de homem de ciência que não acredita em nada: para aprender preciso errar. Mas errar por mim mesmo. Então, a idéia é construir um filtro. Em primeiro lugar será necessário um pedaço de vidro liso. O local ideal, naturalmente é o sítio vizinho que foi abandonado há algum tempo. E, de fato, logo encontro restos de uma janela jogados num canto.
Usando meu pé, quebro um pedaço do vidro e levo para o nosso sítio. O passo seguinte é aparar as arestas do vidro, caso contrário vou me cortar inteiro. Então uso o esmeril (que é uma roda abrasiva montada num motor - como aquela usada pelos afiadores de facas) e vou arredondando os cantos de uma parte do vidro que eu havia previamente cortado no tamanho aproximado do colimador da minha luneta, com a ajuda de um prego para riscar o vidro nas partes que eu desejava cortar.
A seguir é preciso escurecer o vidro: com uma vela acesa, vou esfumaçando lentamente o meu filtro, de modo que ele vai assumindo uma coloração escura. Depois de quebrar alguns pedaços de vidro (devido ao excesso de calor), consigo a versão final do meu filtro, que é fixado na luneta com fita isolante.
Centralizar o Sol na luneta é tarefa que exige paciência de oriental, pois não se pode contar com a ajuda da mira, já que não se pode olhar diretamente para o Sol. Depois de conseguir centralizar a imagem, o problema é conseguir foco. Missão dificílima. Assim, as imagens que consigo são paupérrimas:

Como sempre, os pontos escuros são sujeira no CCD. Novamente recorro ao Photo Styler:

Sei que é um resultado que não tem grande significado, pois cada camada de cor apenas mostra diferentes quantidades de luz. Mas já é melhor que qualquer desenho que eu tenha tentado fazer em minha vida...
Quem sabe num outro final de semana tenho mais sorte...