14 de novembro de 2.003
Lá pelas 11:30 da noite chegamos à chácara: a Silvia, o Bruno e eu (o Eduardo também, é claro, na barriga da Silvia). Fomos recebidos por um reconfortante jantar feito pela Ângela, nossa caseira. Ah, como é boa a comidinha caseira...
Depois do jantar coloquei o telescópio (que estava tremendamente empoeirado, pela falta de uso) na beira da piscina. Fazia um frio danado. Ventava bastante. Mas já eram meses que eu não dava uma olhadinha no céu... Para minha surpresa, a ultima colimação que fiz no Newtoniano permanecia firme e forte: as imagens eram excelentes. Cada estrelinha aparecia como deveria aparecer: um ponto no céu. Aliás, o céu estava perfeito. Uma nitidez incrível (descontando-se, é claro, o vento que atrapalhava um pouco).
Ao olhar para o céu, reparei na presença de Órion. Minha constelação favorita, pois foi nela que observei o primeiro objeto do céu profundo: a M-42. Então localizei a nebulosa e fiquei surpreso com o que vi: parecia uma enorme águia, com seu corpo no centro e suas duas longas asas prateadas. No centro do corpo, como se fosse um coração, lá estavam as quatro estrelinhas, bem visíveis, formando o trapézio.
Após algum tempo, meu filho Bruno veio até meu "observatório" e viu a M-42. Perguntou se era a Via Láctea, pois a nebulosa era tão brilhante que realmente parecia ser um braço da Via Láctea. Mas logo o frio e o vento o fizeram retornar para o interior da casa. Bem fez ele, pois na manhã seguinte eu estava com um tremendo resfriado...
As luzes nas vizinhanças da chácara estão ficando cada vez mais fortes: o vizinho, do outro lado do vale instalou um poderoso holofote. A casa tem tantas luzes que saem das janelas, que mais parece um baile de formatura. Mas mesmo a casa da Ângela também emite um clarão. A triste explicação para tantas luzes são os inúmeros assaltos que têm ocorrido na região. A violência se espalhou pela área rural. Acontecem roubos, furtos (seja lá qual for a diferença técnica entre um e outro), assaltos, venda de drogas, assassinatos. Todos têm medo. Todas as portas e janelas da chácara receberam cadeados. São tantos que, no sábado de manhã, ao tentar sair de lá para uma caminhada, tive de pular uma cerca, pois não tinha as chaves para abrir o cadeado... Já está decidido que a próxima aquisição será um cachorro. Um bem grande. Ou melhor, dois. Pois em termos de cachorros, meu amigo Théo e o "Coca" (que era o cachorrinho que estava na casa do Bruno em São Paulo e que passou a residir na chácara - uma mistura de Poodle de pelo branco com sei lá o quê), apesar de possuírem vozes bastante potentes, não é que representem uma proteção efetiva, pois eles são como muitos dos nossos políticos: corruptos! Basta um bifinho um mesmo um biscoitinhos, que eles se venderão. Este país está perdido...
O vento fazia meus olhos lacrimejarem, mas eu resistia heroicamente. Não tinha hora para dormir, pois estava de férias: por conta de um congresso sobre "estética dental" que teria na quinta e na sexta-feira, decidi tirar a semana toda de férias: ficaríamos de sexta-feira até quarta-feira na chácara, quando retornaríamos a São Paulo para o congresso.
Depois da M-42, observei Marte: uma bolinha branca, como se fosse uma pequena lua, sem detalhes. Sem graça.
Mas, de repente, o vento acalmou. Por um momento me senti feliz. Aquele céu sem vento seria "o" céu. Mas eu sou um pessimista. Aprendi com a vida que quando está tudo perfeito, aí entra a famosa lei de Murphy. Comecei a me perguntar como o velho Murphy ia querer me atacar desta vez.
E a resposta não levou cinco minutos para chegar: uma fina camada de neblina foi tomando conta de tudo, me fazendo ir para casa.
15 de novembro de 2.003
Para grande orgulho do meu sogro, a parreira de uvas por ele plantada há uns dois anos, e depois enxertada e podada e adubada e benzida e cuidada, finalmente se encheu de cachos verdes carregados de uvas. Mas é tanta uva que teme-se que a estrutura de concreto e arame que sustenta a dita-cuja, possa não resistir e vir abaixo a qualquer momento. Assim, passamos a fazer planos de engenharia de modo a salvar aqueles lindos cachos dos efeitos nefastos da lei de Newton ( aquela que trata da gravidade). Planos estes que incluíam cabos de aço e novas estruturas de concreto.
Mas os planos de engenharia não visavam tão somente aquelas lindas uvas: foi criado (sem que eu soubesse) um projeto de se construir um vestiário ao lado da piscina. Este vestiário deverá ter dois banheiros e salas para a troca de roupas. Achei uma verdadeira inutilidade. É como jogar dinheiro pelo ralo. Quem quiser ir ao banheiro, que vá até o interior da casa. Quem quiser se trocar, igualmente, que ande 20 ou 30 metros e que entre num quarto e que se troque lá.
Quanto desperdício!
Mas depois fiquei sabendo que este projeto inclui, sobre ele (na parte correspondente ao telhado), uma laje e três paredes altas o suficiente para barrar o vento, mas baixas o suficiente para que se veja o céu uns 20 ou 30 graus acima do horizonte, para abrigar um astrônomo e seu telescópio sem nome, durante as noites frias do campo.
Pensando bem, acho que um vestiário é uma obra FUNDAMENTAL e URGENTÍSSIMA!
Meu filho aprendeu na escola que para que a vida de um homem seja realmente completa, são necessárias quatro coisas: que ele tenha um filho, que construa uma casa, que escreva um livro e que plante uma árvore.
Pelo bem dos meus nervos, ele optou por começar pela última: plantar uma árvore. Assim, após profundas considerações quanto ao local em que seria plantado o pé de goiaba (ele havia ganho, há uns tempos atrás, uma muda de goiabeira, numa feira ecológica), optamos por plantá-lo perto da horta - local em que a terra é mais fértil. Assim, ele cavou uma profunda e enorme cova, onde solenemente depositou sua árvore, e ajeitou a terra, cobrindo suas pequenas raízes, sob o olhar de um pai orgulhoso. Um bonito momento, este.
Mas a noite estava totalmente nublada. Nada de estrelas.
16 de novembro de 2.003
Choveu muito durante o dia. Mas muuuuito mesmo. Eu até achei que as uvas iam sair voando com a força do vento. Mas que nada! Elas continuam no mesmo lugar. Foi bom para o pé de goiaba do Bruno, que foi bem regado.
À noite, para minha surpresa, o céu formou uns buracos entre as nuvens. E lá estava eu olhando, novamente para um céu meio embaçado, com nuvens que iam e que vinham. Não que houvesse muito para se ver, pois era um céu "em flashes", que se mostrava em pequenas partes. Aí fiquei pensando... deixando o pensamento vagar pelo espaço.
Mas um som estranho, bastante forte me tirou das minhas divagações. Ah, sim, eu gravei o som, pois comprei um pequeno gravador digital para gravar as palestras que assisto, pois normalmente elas são muito longas: 3 ou 4 horas seguidas de aula, das quais, meu aproveitamento só é completo na primeira hora. Depois disso, o rendimento cai, e certas partes do que é dito fica perdido. Assim, comprei este gravador, que cabe tranqüilamente no bolso da minha camisa, e parece apenas com uma caneta. Depois, vou ouvindo novamente a palestra aos poucos e fazendo as anotações necessárias.
Uma destas palestras, só para que meu gravador não se cansasse da odontologia, foi proferida pelo astrônomo Oscar Toshiaki Matsuura, num "café filosófico" da Livraria Cultura, sendo parte integrante da "Série Encontros com a Scientific American Brasil" em 11 de novembro.
O tema, para mim, era dos mais apaixonantes: "Vida fora da Terra".
Em resumo, a palestra tratava de Exobiologia (ou Astrobiologia). O Dr. Matsuura, para quem não sabe, é um oriental, com um jeito muito simpático. Sua calma e tranqüilidade aparentes surpreendem a nós paulistanos, neuróticos de guerra. Cara de cientista. Mas não é só a cara: ele é físico. Mestre em radioastronomia solar e Doutor em astronomia de cometas. Chefiou o grupo de Astrofísica do Sistema Solar do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP até se aposentar em 1997 como professor associado. Depois trabalhou quase quatro anos no Museu de Astronomia e Ciências Afins do Rio de Janeiro. Atualmente é Diretor do Planetário e Escola Municipal de Astrofísica "Prof. Aristóteles Orsini" do Parque Ibirapuera.
Na verdade, o conteúdo desta palestra, seria suficiente para uns seis meses de aula. Duas coisas me salvaram: os cursos de Bioquímica e de Genética que tive na faculdade, e o gravador. Só consegui entender a lógica completa da palestra, ao ouvi-la, dias depois, pelos alto-falantes do microcomputador (sim: o gravador passa seu conteúdo para o micro).
Mas, falando do tema "vida fora da Terra", alguns detalhes me pareceram importantes:
| A Bioastronomia passou a ser encarada como uma disciplina ortodoxa e científica a partir de 1982, na Assembléia Geral da União Astronômica Internacional, que ocorreu na cidade de Patras, na Grécia. | |
| A Terra, surgiu a 4,6 bilhões de anos. Pouco tempo depois, a Terra sofreu um intenso bombardeamento de diversos tipos de radiações e partículas que, à primeira vista, destruiriam qualquer forma de vida. Mas os primeiros microfósseis encontrados datam exatamente do período imediatamente subseqüente a este bombardeamento (há 3,8 bilhões de anos). A conclusão disso é que é fácil surgir vida. É rápido. O que demora é a diversificação da vida, ou seja, a diferenciação das espécies. | |
| Todas as formas de vida que até hoje foram identificadas na Terra, apresentam uma composição celular de sua arquitetura molecular que é definida por 30 moléculas (chamadas biomoléculas) que são unidas por 20 aminoácidos, 5 bases pirimídicas, 2 açúcares 1 ácido graxo, 1 álcool e 1 aminoálcool. Repetindo: 30 moléculas. A vida na Terra é definida por apenas 30 moléculas que se ligam umas às outras de diferentes formas, definindo as várias espécies, sejam elas uma ameba, uma árvore ou um ser humano. Conclusão: não é preciso muito, em termos químicos, para que a vida surja. Já para produzir estas moléculas, também não é preciso muito: a famosa experiência da "sopa primitiva de Miller", na qual se colocou num balão, água, Amônia e Metano (que seriam gases presentes na atmosfera terrestre primitiva), submetidos a uma corrente elétrica, produziram, no fundo deste balão aminoácidos e peptídeos (que são a base da vida). | |
| A teoria dominante, atualmente, é que a vida na Terra descende de um ancestral comum (o chamado "Protobionte"). Conclusão: para que haja vida num lugar, basta uma célula viva que ela "dará um jeitinho" de criar todo um mundo vivo. | |
| Em 1970 foram descobertas algumas formas de vida que foram chamadas de "extremófilas". Em geral são seres unicelulares que conseguem sobreviver a condições extremas, como temperaturas (muito acima de 100ºC- nas bocas de vulcões submarinos ativos - a 121ºC-, ou muito abaixo de 0ºC - em lagos congelados da Antartida); quantidade de água (seres que sobrevivem praticamente sem água); pressão (há seres que vivem em pressões absurdas - 11.000 m. abaixo do nível do mar); pH (vivem em locais extremamente ácidos -p.ex. o Helicobacter pylori o microorganismo responsável por úlceras gástricas - ou extremamente alcalinos); em locais com níveis altíssimos de salinidade. Existem seres que vivem em terrenos sedimentares (no interior deles, ou seja, no sub-solo, sem luz e praticamente sem Oxigênio) e até mesmo em terrenos ígneos (ou seja, dentro de rochas, sem Oxigênio algum e sem água). São estes os chamados Litotróficos, que se nutrem de elementos retirados do interior das rochas, como o Ferro e o Enxofre, a partir dos quais conseguem produzir a energia para sobreviver. Os extremófilos são os seres que se supõe ser os mais parecidos com os Protobiontes. Daí se conclui que certos lugares que aparentemente são totalmente ianpropriados para abrigar vida, na verdade, não o são. | |
| Organizações governamentais, no caso a NASA, já enviaram naves ao espaço, como a Pioner X e as Voyager I e II, que carregavam placas e discos com mensagens para eventuais extra-terrestres. E se o fizeram era porque acreditaram na possibilidade que, um dia, alguém poderia ler e entender estas mensagens. Esta mesma NASA já realizou experiências biológicas fora da Terra (p. ex. em Marte), para tentar saber se seria possível a vida em solo marciano (no caso de Marte, os resultados foram negativos pois sua atmosfera é riquíssima em Peróxidos que são extremamente reativos - ex. Água Oxigenada - e impediram o crescimento bacteriano). Mas isso significa que a NASA admite a possibilidade de vida fora da Terra (seja ela no presente ou no passado). | |
| Meteoritos encontrados na Antartida, parecem apresentar indícios de microfósseis. Estes meteoritos teriam colidido com Marte há bilhões de anos atrás e entrado em órbita terrestre vindo, finalmente, a cair sobre a Antartida. Neles haveria indícios químicos da presença de moléculas de água. | |
| Em 2000 a NASA realizou um experimento (Fotólise Interestelar) que consistia em colocar numa câmara de vácuo refrigerada um chamado "cold fingher" (dedo frio) além de uma quantidade de moléculas de substâncias comumente encontradas no meio interestrelar (simulando a superfície de grãos de poeira interestrelar). Este balão era irradiado com raios ultra-violeta. Disso formaram-se, dentro do balão, complexos orgânicos como cetonas, quinonas e até mesmo peptídeos. Este material foi então aquecido a 200ºK (simulando as condições de formação de cometas pelo aquecimento solar). Neste ponto surgiram as chamadas "membranas anfifílicas" que são muito semelhantes a... nada menos que membranas celulares. Surgiram também materiais fluorescentes (precursores dos processos de fotossíntese). Daí se pode concluir que no meio interestrelar existem condições de se criar nada menos que uma célula que faça fotossíntese! Ou seja: vida. |
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Experimentos sérios (poucos) foram tentados no sentido de se encontrar vida fora da Terra. A comunicação eletromagnética (ondas de rádio) foi (e ainda está sendo) tentada de forma científica, seja na emissão de mensagens que na escuta (p. ex. o projeto SETI/ Projeto Phenix - da qual faço parte). Não foram obtidos resultados positivos. Mas aqui o Prof. Matsuura lembrou que as distâncias são enormes e que estas ondas levam muito tempo para atingirem seus objetivos (uma mensagem enviada em 1974 do radiotelescópio de Arecibo a um determinado aglomerado globular, vai levar 25.000 anos para chegar lá - pois está a 25.000 anos-luz daqui - mais 25.000 anos para que uma eventual resposta volte a nós. Assim, se houver resposta, esta não virá antes do ano 51.974). Além disso é preciso lembrar que se alguém escutou estas mensagens, este alguém deveria, em primeiro lugar, dominar a tecnologia das ondas eletromagnéticas (quem garante que eles sejam mais evoluídos que nós?). Em segundo lugar, este alguém deve estar interessado em responder (quem garante que uma civilização extra-terrestre qualquer deseje manter contatos com uma civilização tremendamente agressiva, que se auto-destrói através de guerras, poluição ambiental, etc., etc.).
Há que se ter em conta que a existência de planetas extra-solares só foi confirmada muito recentemente. Atualmente já temos a confirmação de mais de uma centena deles. Mas isso significa que existem outros planetas girando em volta de outras estrelas. E daí que podem haver planetas até bastante parecidos com o nosso.
As nossas emissões de rádio e de televisão comerciais, queiramos ou não, vão para o espaço. E estão à disposição de quem queira ouvi-las. Estas transmissões se iniciaram há mais ou menos 50 anos. Isso significa que os astros englobados numa distância de 50 anos-luz da Terra, já estão recebendo nossas emissões comerciais.
Estes foram, em resumo, os dados expostos pelo Prof. Matsuura.
Destes dados, concluo que o "milagre da vida", talvez não seja tão milagroso. Talvez o Criador seja como que um cientista de um imenso laboratório de Química Celestial... Entretanto, não consigo encaixar o conceito de "alma" nessa química. Então isso me leva de volta a um Deus.
Provavelmente há vida em outros lugares. Em alguns esta vida já foi eliminada. Em outros, ainda está por vir. Em alguns ela pode ter evoluído para espécies inteligentes. Em outros não passou da fase unicelular ou até mesmo menos que isso.
Inseri aqui esta aula do Prof. Matsuura porque estava falando de um som misterioso que ouvi durante as minhas observações daquela noite fria. A imagem que eu fazia era a de um enorme disco voador no fundo do vale que existe na Fazenda Limoeiro. Fiquei imaginando essa enorme nave ligando seus motores e decolando para o espaço. A quem interessar, o som pode ser ouvido aqui (mas é preciso aumentar muito o volumedo micro, além de ter o "Real Palyer ou um programa de som similar instalado no micro, para conseguir ouvir):
Mas o som continuou um tempão. Mesmo quando fui dormir, a "nave" ainda estava tentando fazer com que seus motores ligassem. Achei que eles estavam tentando fazê-la pegar "no tranco". Ah, essas baterias desses E.T.'s...
Mas, na manhã seguinte perguntei aos "nativos" do pedaço o que era aquele som que continuava mesmo com o Sol alto.
"Cigarras, é claro..." Será que eu era tão ignorante a ponto de não conhecer o som das cigarras depois da chuva???!!!
Por falar em E.T.'s, em 06 de novembro recebi um e-mail pela lista do CASP (Clube de Astronomia de São Paulo - que é uma lista virtual de discussão sobre Astronomia):
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Minha resposta:
Fiz este comentário pois há vários meses, outro "colega de lentes" também comunicou na lista ter observado um objeto não identificado:
Dias depois recebi esta mensagem do colega :
Respondi ao seu e-mail iniciando uma discussão, num nível totalmente científico, sobre as possíveis hipóteses do que poderia ser o tal objeto. As possibilidades eram várias: desde balões meteorológicos, balões de São João, satélites artificiais, etc.
Outros membros da lista entraram na discussão. Mas logo alguns membros começaram a mandar mensagens um tanto quanto agressivas dizendo que este assunto era o que eles chamam de "off toppic". Ou seja, "objetos não identificados" não devem fazer parte de discussões sobre astronomia.
Fiquei pensando que se a Astronomia não discutir os objetos voadores não identificados, de forma científica e racional, quem haveria de fazê-lo? E caí na besteira de mandar um e-mail para a lista dizendo isso.
O moderador da lista imediatamente partiu para o ataque, me fazendo ameaças de expulsão da lista caso eu continuasse a falar sobre o assunto. Fiquei revoltado com sua visão limitada das coisas e respondi que isso era um tipo de censura totalmente descabido.
Daí teve início uma verdadeira guerra de e-mails agressivos e sem sentido. Diversas pessoas se manifestaram publicamente sobre o assunto, sendo a grande maioria abertamente contra a possibilidade de se discutir o assunto abertamente (sempre num nível científico - nada de monstrinhos fantasmagóricos ou fatos sem fundamentação racional e lógica).
Foi então criada uma votação na lista. Uma votação claramente manipulada, de modo que ficou decidido que na lista do CASP o assunto OVNI era totalmente proibido.
Visitei outras listas. A maior parte delas também proíbe explicitamente o assunto.
Por este motivo, a discussão do avistamento do meu colega passou a ser feita em e-mail privados (pvt).
Aconselhei o colega a procurar informações junto à Aeronautica.
E veio a resposta:
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Outro episódio que me chegou por e-mail:
A resposta que apareceu na lista do CASP:
cuidado.nessa lista é absolutamente proibido falar em assuntos fora astronomia...
Uma resposta mais científica:
Prezada xxxxxx:
Mas nada disso adiantou: as listas de discussão sobre temas astronômicos simplesmente PROíBEM que este tema seja sequer mencionado. Os conhecimentos do Prof. Matsuura, por exemplo, são proibidos. Então eu passei a me perguntar a razão disso. Dentre as respostas que encontrei estão:
| O ser humano se julga, em seu íntimo, o centro do universo. Admitir vida em outros planetas, ou vidas inteligentes "não humanas" simplesmente acabaria com nosso ego. | |
| As religiões se veriam em uma situação bastante delicada e difícil de contornar pois, até onde vão meus conhecimentos sobre as religiões, nenhuma delas inclui em seus textos sagrados qualquer menção a formas de vida inteligentes fora do nosso planeta. Como explicar aos fiéis que os textos sagrados teriam cometido uma omissão tão importante? | |
| Os governos poderiam se ver na obrigação de despender volumes econômicos imensos para manter contatos com uma hipotética civilização extra-terrestre. De onde tirar estes recursos se a humanidade sequer consegue eliminar a dengue e a fome? | |
| Os governos seriam também obrigados a controlar as massas pois se eu sei que num planeta qualquer existe vida inteligente, vou exigir que meu governo mantenha relações com seus habitantes pois eles podem sugerir soluções para os nossos problemas (um deles talvez seja a própria forma de governar). Por outro lado haveria aqueles que exigiriam que não mantivéssemos contato algum. E isto poderia gerar um conflito de proporções inimagináveis. | |
| Seres de outros planetas não necessariamente serão "bonzinhos". Talvez eles queiram simplesmente invadir nosso planeta, nos destruir e levar embora o que for de seu interesse. Isso geraria uma histeria coletiva incontrolável. | |
| Pior que isso: seres de outros planetas podem nos achar tão arrogantes, presunçosos e ignorantes que simplesmente tem medo de vir para cá. Mais medo ainda podem ter que nós os descubramos. |
Mas não consegui chegar a uma conclusão das causas que levam os moderadores de humildes listas de discussão sobre Astronomia a não querer discutir tal assunto. Qualquer resposta será bem-vinda, e publicada neste diário sob forma anônima.